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RO: deliciosos pedaços de um mundo distante

Ramen e outros petiscos, ou a feliz ideia de brindar o Porto com iguarias nipónicas. Daquelas muito boas.

Quando, há uns meses, me apercebi que tinha aberto um restaurante de ramen no Porto, o entusiasmo foi tanto que não podiam passar muitas mais quartas-feiras sem que o experimentasse. Além de novo era um espaço bem inovador por cá. Sabendo que locais de restauração totalmente dedicados a outro tipo de gastronomia típica japonesa, que não o sushi, são quase inexistentes na invicta, a curiosidade e a expectativa estava bem alargadas. 

Provar rapidamente aquele caldo, normalmente temperado com soja ou miso, que envolve tão bem componentes como noodles, ovo, carne ou peixe, legumes e algas, era obrigatório. O projecto é de um jovem chef que tem marcado presença em vários projectos interessantes, e se tem atrevido em alguns conceitos diferentes. Factor que confere ainda mais segurança e aumenta a vontade de conhecer.

O espaço é simples, com toque urbano e cosmopolita. O ambiente é moderno, com o preto e o cinza metálico a predominarem. Não sendo muito grande, os tons e materiais frios adoptados conseguem conferir-lhe relativo conforto, considerando que não será um local para ficar muito tempo. Possui algumas mesas e uns poucos lugares ao balcão.   

Somos recebidos por um folheto (ver aqui) que nos elucida eficazmente na questão de "como comer ramen?", e por uma carta clara e equilibrada. Sem se tornar gigante e confusa, disponibiliza opções diferentes nas várias fases da refeição.

Os ramens dividem-se por meia dúzia de opções que chamam por nós e nos deixam a pensar qual escolher desta vez, e os "outros" são bem diversos e estimulantes, dando forma a exóticos petiscos que nunca desiludem. 

Depois de algumas visitas é possível verificar que as sugestões vão mudando ao longo do tempo, sendo adaptadas às sazonalidades e diferentes vontades.

Tenho, naturalmente, de destacar o petisco que nunca deixa de anteceder o belo do ramen: as croquetas de batata doce com camarão. São simples e divinais, e constituem uma entrada vencedora com obrigatória presença na mesa a cada visita.

O potente okonomiyaky misto, idealmente para partilhar, não pode deixar de ser referido. Esta espécie de panqueca japonesa, que neste caso se apresenta recheada com tudo e mais alguma coisa, nomeadamente, lula, camarão, carne, bacon e legumes, quando comida com moderação é imperdível. Não aconselho a pedir como prato principal pois facilmente se torna excessivo e enjoativo.

Os cogumelos shitake salteados destacam-se pela intensidade do molho de batata e wasabi. É um petisco bem interessante mas, eventualmente, menos consensual. 

Dos ramens provados, o shoyu conquistou desde logo. Os sabores obtidos pelos ingredientes menos usuais que dão forma ao molho da base, conjugados com a carne, sempre tenra e saborosa, e o ovo cozinhado naquele ponto perfeito, realizam um prato de noodles que bem facilmente enche as medidas. 

Na opção do mês, o ramen de pato com castanhas marcou pela positiva. Muito simples, com uma excelente confeção da carne, e o molho, bem quentinho, sustentado pela intensidade das castanhas, reconfortou imensamente um relaxado almoço.  

Já o mazemen não reuniu tantos votos a favor. Sendo um ramen sem molho acaba por não envolver tanto. Saboroso, contudo, demasiado massudo e menos interessante. 

Para concluir existem três opções de sobremesa. Ainda que entenda que neste campo a disponibilidade poderia ser maior, a escolha recai sempre pelo gelado soft de sésamo preto, cuja leveza e sabor curioso chegou e conquistou com força.

De gelado existem outros sabores, com alguns toppings à escolha. Tem como companhia o dorayaky, uma sanduiche de gelado, e brownie

Ponto extra positivo no atendimento, sempre descontraído e atento, é o facto de haver know-how para prontamente explicarem o que é o RO, e o que significa este ou aquele termo mais estranho e invulgar que nos salta à vista na ementa.

Se a curiosidade em conhecer e vivenciar este conceito era muita, o balanço da experiência esteve totalmente à altura. A apresentação dos pratos cativa, os ingredientes usados envolvem e a noção de estarmos a comer um belo pedaço de mundo, distante e desconhecido, sabe e faz-nos tão bem. 

Acredito que o RO veio para ficar e para nos continuar a surpreender com propostas novas e funcionais adaptações de sabores. Aculturações desta qualidade, que cada vez mais se vão entranhando e normalizando por cá, serão sempre bem vindas.

Ás: Os ramens e todos os outros petiscos. 

Duque: Poucas sobremesas disponíveis.


Mais informações:
RO
Rua Ramalho Ortigão, 61
4000-407 Porto
Contacto: 967 307 887
Página do Facebook: RO
Site: http://restaurante-ro.com/

Susana Ferreira

Coração de foodie alimentado por uma imensa curiosidade. O meu! Não consigo ver no ato de comer a satisfação de uma mera necessidade fisiológica, mas antes um dos mais essenciais momentos de felicidade. Detesto comer mal mas não sou esquisita, e perco-me por comida autêntica e bonita, que prefiro cozinhar para os outros. Dos lugares, volto sempre aos que me surpreendem e alimentam também a alma. Dos momentos, desfolhar um livro de comida, conhecer um ingrediente novo ou encantar-me por sabores de outras paragens, é quanto basta para serem felizes. Cozinhar, Comer, Viajar, Aprender e Partilhar são os verbos que me preenchem. Assim como Barcelona, queijos, fruta, alta pastelaria, bom sushi e genuínos sabores italianos.

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